[ editar artigo]

A LIDERANÇA  E  O  PAPEL  DOS  LÍDERES

A LIDERANÇA  E  O  PAPEL  DOS  LÍDERES

O filósofo alemão, Martin Heidegger, cunhou a expressão “a-gente” que significa, para ele – essa condição do “viver-junto”, do “ser-com”, que se experimenta na troca, no  compartilhamento, no olhar para o outro, e nas emoções nascidas da experiência  coletiva.

      A reflexão que pretendemos apresentar aqui, parte do princípio de que a liderança no mundo do trabalho, realizado nas instituições (empresas, associações, sindicatos, governo, escolas e comunidade em geral), implica assumir que esses são lugares de convivência, de compartilhamento de emoções, de valores, de necessidades, de sonhos e de conhecimentos.

      Estamos convencidos que o fenômeno da liderança  é parte da  natureza humana experimentado e necessário para um conviver produtivo, saudável e feliz . É preciso, pois, pensar a liderança como algo intrínseco à realidade do conviver, do produzir em coletividade.

      A liderança não é algo que se coloca de fora para dentro - de um grupo, uma comunidade ou instituição - com a responsabilidade de entregar o propósito ou a realidade sonhada, pronta e acabada. O líder sonha e faz junto! Ele tece, com aqueles com quem convive,  a rede para concretizar a realidade buscada.

      Temos a convicção de que o grupo é a pátria do líder e, portanto, ele antecede e determina a existência desse personagem cuja responsabilidade essencial é gerar/impulsionar o movimento articulado, organizado e integrado em direção à satisfação do propósito em comum. A existência de um propósito em comum é o vetor fundante e estruturante do caráter desse organismo social pleno de possibilidades que denominamos grupo. Isto significa, sem propósito em comum não há grupo.

       Essa responsabilidade pela mobilização de pessoas pressupõe algumas atitudes e disposições do indivíduo-líder: sua capacidade de estabelecer e/ou facilitar relações de confiança, principalmente através de um posicionamento coerente entre o que fala e o que faz, sua lealdade para com o propósito sonhado e assumido junto,  e sua capacidade de funcionar como animador do grupo, colocando-se sempre como aquele que comunica e empreende significado para cada conquista e ou ação que desencadeada.

      É dessa maneira que o líder contribui para que a vida seja sentida como algo que vale a pena, no grupo/instituição/comunidade, ao qual pertencem ele e os outros. Afinal, a energia que todos despendem é recompensada por resultados que satisfazem as razões que levaram aqueles indivíduos a se agrupar. O líder é um instrumento dessas razões.

       Por último vale considerar que liderança não pode se confundir com cargo e, nesse sentido as instituições (empresas, associações, sindicatos, governo, escolas e comunidade em geral) deverão, em nome de melhores e maiores resultados,  adotar o paradigma da liderança não posicionada pois como afirmou Peter Drucker  “Veremos cada vez mais organizações funcionando como bandas de jazz, nas quais a liderança muda de acordo com as circunstâncias e é independente do posto de cada membro... .”

      Peter Drucker  anuncia, nesta afirmação, que a aptidão adaptativa, fundamental para a sobrevivência e longevidade institucional, viabiliza as respostas efetivas  às condições imprevistas e às mudanças profundas engendradas no ambiente de incertezas do século XXI que substituiu a continuidade previsível que caracterizou o mundo até meados do século XX. Desse anúncio nasce o modelo de liderança adaptativa concebido por Ronald Heifetz.

Paulo Ferreira Vieira

Psicólogo – Consultor de Empresas

Polo de Liderança Sebrae
Ler conteúdo completo
Indicados para você