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Trincheiras tecnológicas: como promover inovação e ética no ambiente de trabalho?

Trincheiras tecnológicas: como promover inovação e ética no ambiente de trabalho?

Para o futurista Juan Enrique, os avanços exponenciais da tecnologia têm conduzido nossos comportamentos éticos e modificado nossa percepção e consciência coletiva sobre o que seja “certo” e “errado”.

A tecnologia tem mudando, radicalmente, a forma como interagimos uns com os outros, colocando-nos em trincheiras estreitas, a partir de nossas próprias visões de mundo.

Segundo o autor, as novas tecnologias podem se comportar como pequenas metralhadoras, em termos de conduta ética e moral, sobretudo no ambiente de trabalho. Sobre isso, ele nos relembra que, quando as metralhadoras foram criadas, elas mudaram completamente o estilo dos conflitos, como o ocorrido na Primeira Guerra Mundial - IGM.

Caracterizada com guerra das trincheiras, na I GM, ou os soldados estavam nas trincheiras dos Aliados ou nas da Tríplice Entente, desfrutando de uma posição protegida contra ofensivas de projéteis balísticos inimigos. Contudo, o mundo além destas trincheiras caracterizava-se como um “grande vazio” ou “terra sem dono” e, se algum soldado ali estivesse, certamente seria atingido, seja pelo grupo inimigo, seja pelo seu próprio exército, por seu comportamento de desertor.

Nos dias atuais, nossas "metralhadoras" são as mídias sociais e passamos a utilizar essas pequenas armas (comentários, posts, imagens, tuites, acusações, etc.) para rotular e condenar as pessoas de nossas relações, a partir de nossos julgamentos.  

Ao assumirmos a nossa visão de mundo como sendo a “mais correta” ou a “mais adequada”, inconscientemente, passamos a rejeitar as pessoas que pensam de forma divergente da nossa, tornando-nos isolados em nossas próprias trincheiras.

Neste ponto, é importante atentarmos ao fato de que, em vários momentos de nossa história, o consenso sobre o que seja “certo” e o “errado” mudou ao longo do tempo. É comum identificarmos em diversas culturas antigas a realização de sacrifícios humanos (e em alguns casos com crianças e jovens) para que houvesse mais fertilidade do solo e/ou a obtenção de êxito na colheita de uma lavoura. Atualmente, esse comportamento é criminoso e considerado extremamente desumano.

Para que o ambiente de trabalho seja um lugar de produtividade, criatividade e liberdade é preciso saber trabalhar com tolerância, humildade e pautar-se nos valores humanos: bem, justiça, integridade, bem-estar comum, prudência, sabedoria moral, temperança, etc. Esses são valores atemporais, que um verdadeiro ser humano precisa desenvolver para alcançar a sua própria evolução e contribuir com a evolução da humanidade.

É preciso sair das trincheiras e caminhar pelo solo fértil da consciência humana. Sem esta evolução, certamente, não haverá aprendizado.

A consciência emocional nos conduz à conexão com o nosso próprio íntimo, manifestando o que existe de melhor em cada um de nós, em busca de nosso crescimento e autodesenvolvimento. Já a consciência social permite a conexão de forma positiva e harmônica com as pessoas ao nosso redor, numa visão panorâmica que ressalta as oportunidades que nos são apresentadas, cotidianamente.

Assim, com base nestas duas formas de interação com a realidade, poderemos buscar a nossa consciência plena, ou seja, nossa capacidade e perceber a nós mesmos e ao mundo exterior, com autorresponsabilidade e cidadania. A consciência plena impulsiona a criação de uma boa rede de relacionamentos, com produtividade e sucesso, numa visão completa e funcional do mundo que nos cerca.

Por isso, deveremos utilizar as tecnologias, em forma exponencial, para criarmos um ambiente de trabalho inovador, com discussões que conduzam ao crescimento mútuo, numa soma de diferentes visões e de grande produção de valores e oportunidades, a partir da diversidade e criatividade humana.

As trincheiras nos engessam e não admite experimentar a nossa extraordinária inteligência coletiva.

Neste ambiente da inteligência artificial e das novas tecnologias exponenciais, serão cada vez mais exigidas estruturas e instituições mais colaborativas e flexíveis, que reflitam a integração dos vários ecossistemas e que levem em conta todas as formas de pensamentos e opiniões. Para isso, será preciso uma liderança inclusiva que fomente a ética, a tolerância e a compaixão, num ambiente corporativo guiado pelos valores e pelo respeito à humanidade, de forma justa e sustentável.

Dra. Gisele Victor Batista

www.harpiameioambiente.com.br | giselevictorbatista@gmail.com

Polo de Liderança Sebrae
Gisele Victor Batista
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Consultora em ESG e Responsabilidade Social | Mentora Empresarial e de Desenvolvimento Pessoal | Colunista de Sustentabilidade | Palestrante em Capitalismo Consciente, Economia Circular, ODS e Mercado de Carbono.

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