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Dona Raimunda: Uma líder nata que virou bandeira de liberdade e igualdade

Dona Raimunda: Uma líder nata que virou bandeira de liberdade e igualdade

Dona Raimunda foi uma lutadora pelos direitos de liberdade e de igualdade que ultrapassou fronteiras: fez com que seu povo saísse da invisibilidade e fosse percebido e respeitado não só pelo estado, pelo país, mas por todo o mundo. 

Foi  uma das idealizadoras do Projeto de Lei – Babaçu Livre, que reconheceu o direito das quebradeiras de coco, assegurando o direito de livre acesso delas e de suas  famílias às propriedades, ainda que privadas, para a execução da atividade com o uso comunitário dos babaçus (mesmo quando dentro de propriedades privadas), além de impor restrições significativas à derrubada das palmeiras.

Dona Raimunda  sempre soube aonde queria chegar. Tinha um sonho, garantir uma vida digna ao seu povo, com direito de trabalhar diretamente com o que a natureza oferecia, agregar valor ao babaçu e aumentar a renda das quebradeiras de côco com uma atividade sustentável. 

 Atraia atenção dos grandes governantes e virou até um filme, sendo protagonista do documentário "Raimunda, a Quebradeira", produzido pelo diretor Marcelo Silva, que mostra o universo de trabalho das quebradeiras de coco babaçu da região norte de Tocantins.

Contudo,, ela tinha um desafio a enfrentar.  Os programas formatados pelos governos, não chegavam de fato a beneficiar as quebradeiras de coco da região do Bico do Papagaio. Os recursos noticiados costumeiramente acabavam desviados.  Era preciso coragem e determinação para fazer a promessa ser cumprida. Com o apoio e o envolvimento direto dela, foram entregues 803 casas para as quebradeiras de coco. Dona Raimunda acompanhou todas as entregas, do começo ao fim. Não tinha medo de nada, provocou os líderes públicos do governador ao presidente da república, “botou a boca no trombone” e conseguiu casa para todas as suas companheiras.  

Viajando de norte a sul, com as suas havaiana e bolsa de lado, emprestada por familiares, representou muito bem sua luta no país e fora dele. Dona Raimunda foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, homenageada pela ONU na Campanha Regional sobre a autonomia das mulheres rurais e indígenas da América Latina e do Caribe, recebeu título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Tocantins e prêmios como o Diploma Mulher-Cidadã Guilhermina Ribeira da Silva, (Assembleia Legislativa do Tocantins) e o Diploma Bertha Lutz (Senado Federal). Foi indicada ao diploma Mulher-cidadã Carlota Pereira de Queirós (Câmara dos Deputados).

Dona Raimunda lutou para aumentar a renda das mulheres quebradeiras de coco agregando valor ao coco, com fabricação de óleo, sabonete, produtos em geral. “A mudança só começa a partir das pessoas. Se não existir uma consciência dentro do povo, não haverá mais respeito, confiança. Do tempo que eu nasci pra cá, tanta coisa aconteceu, e foi possível melhorar a vida das quebradeiras de coco com união e fé”, mensagem deixada por Dona Raimunda em um depoimento de duas horas, postado na  plataforma YouTube em 2016, conforme postado abaixo. 

Dona Raimunda  deixou um legado inquestionável: sua ideia e sua luta inspiraram outras mulheres a lutarem por seus direitos. Foi muito além de pedir melhora para seu ambiente particular, mudou a história de muitas mulheres e homens que viviam sem dignidade e com as liberdades ameaçadas por grandes proprietários de terra. 

Falecida em 2018, essa líder nata da Região do Bico do Papagaio, virou bandeira de liberdade e igualdade. Foi um exemplo de liderança real,  que não tinha formação universitária, mas era sábia. Entendia de gente, tinha determinação e coragem, valores inquestionáveis, e uma energia sem limites, assim como os infindáveis  babaçus que ajudou a preservar.

 

Polo de Liderança Sebrae
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