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Liderança engajadora promove bem-estar e qualidade de vida aos liderados

Liderança engajadora promove bem-estar e qualidade de vida aos liderados

O conceito de qualidade de vida possui facetas que poucos conhecem em essência. É um construto dimensional e relacional que tem por objetivo acrescentar qualidade aos anos vividos e não anos a uma vida sem sentido.  Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o conceito de qualidade de vida tem a ver com a “Percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura, sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações, (WHOQOL, 1994)”.

Em 2020 vivemos uma crise sanitária, social, econômica e de valores que atingiu o âmago da percepção de quem somos como sociedade e como indivíduos. Todos os níveis hierárquicos das necessidades humanas ficaram sob as lentes da desconfiança e do medo. A expressão mais tangível dessa situação não está no PIB, está no aumento dos agravos da saúde mental e no comportamento de alívio disruptivo que pessoas, famílias, comunidades e organizações assumiram. Muitos ainda estão sem chão e muitos se reinventaram, se tornaram mais fortes, viraram a chave dessa morte emocional e floresceram. 

O que fez a diferença? Essa não é uma resposta simples e não há solução mágica capaz de transformar ameaças constitutivas em projetos de desenvolvimento. Há um trabalho árduo, contínuo, centrado no autoconhecimento e na compreensão de quais recursos internos e externos nos permite navegar em águas turbulentas e sair com menos avarias. Nos diferentes segmentos, líderes inspiradores que colocaram o OUTRO antes do EU e do MEU fizeram a diferença, atuaram na gestão das emoções sociais, formaram vínculos robustos com sua comunidade, fortaleceram o senso de pertencimento nesse período de escassez e, com isso, capilarizaram o sentimento de esperança dentre os seus. Essa atuação permitiu a sobrevivência de muitos ao mesmo tempo que fortaleceu a experiência de SER líder e de liderar.

Retornemos a março de 2020, momento em que a OMS decretou o estado pandêmico e o mundo ficou de joelhos. O Brasil pós-carnaval se assustou, negou a realidade e finalmente se curvou. As pessoas começaram a morrer, familiares, amigos, pessoas queridas, conhecidos próximos e distantes. Vivemos informações desencontradas e anti-exemplos de liderança, cidadania e gestão. Mas também experienciamos a fraternidade dos desconhecidos, fomos abraçados pela força do bem querer anônimo e pelo sentimento de compaixão. Isso nos permitiu o enfrentamento da crise por motivos diversos - ora por causa de - e em outros apesar de.

Passaram-se os meses,  os ajustes foram se delineando, a criatividade frente a problemas complexos permitiu que professores se reinventassem, que engenheiros direcionassem seu saber e desenvolvessem respiradores mecânicos, máscaras de proteção, métodos de diagnósticos alternativos, cientistas se consorciaram na busca de vacinas e medicamentos para proteger a vida. A vida de todos, a vida que importa, a vida como um bem maior retornou ao seu lugar de destaque.

Nem todos são médicos, professores, engenheiros, profissionais da saúde ou cientistas, porém todos que olharam ao seu redor, que aliviaram o sofrimento e conseguiram arregimentar forças convergentes atuaram como líderes genuínos. Isso fez a diferença. Neste mundo hiperconectado realçaram a importância do indivíduo e de sua singularidade, valorizaram a comunidade acima da rede.

Isso não foi fácil. Foi necessário ter sensibilidade, empatia verdadeira, sabedoria. Requereu coragem para liderar e fazer do exercício da liderança o sacrifício que a transforma no ofício de algo sagrado, no bem maior para a coletividade.

Nas organizações, líderes que resgataram as boas práticas de uma liderança menos cognitiva e mais humanizada acessaram a potência do sentimento de pertencimento humano. Obtiveram a melhor entrega e contaram com a fortaleza de uma atuação verdadeiramente colaborativa,  de uma comunidade que precisava de afeto, acolhimento e esperança.

Chamo esses líderes de líderes engajadores, líderes que através da escuta sincera e aberta, da solidariedade e do trabalho significativo, asseguraram o vínculo de pertencimento social à esse momento incerto. Nessa travessia, ao fazer um plano de ação centrado nas pessoas, criaram as bases para o desenvolvimento de um plano de negócios com real chance de sucesso. Este líder que agora conhece melhor os seus, que colheu sugestões dos que atuam na linha de frente, com saberes divergentes e que enxergam o que outros não veem, sabe quais são os talentos presentes, as limitações e as alternativas. Possui a força da sua comunidade para superar os desafios na mesma medida em que os vínculos formados fazem com que ele se motive a fazer o melhor por ela.

Isso assegura o bem-estar e qualidade de vida durante a crise e sedimenta as bases da percepção para o depois da crise.  Líderes e parceiros, quando olham na mesma direção, são imbatíveis. 

Bato palmas para a liderança que, nesta crise, valorizou a riqueza humana, lembrando-se que a vida é um ativo precioso e que as pessoas importam.  É esta liderança respeitosa e engajadora, que vibra com os seus, que reconectou sua comunidade ao seu propósito de atuação nativo, que dedico esse olhar. O líder que transferiu aos seus liderados a compreensão de que a vida é difícil e de que pandemia, doença e adversidade não são destino, é o líder que me faz sonhar.

Polo de Liderança Sebrae
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