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No agronegócio sobra pujança econômica e falta protagonismo político.

No agronegócio sobra pujança econômica e falta protagonismo político.

Conceitualmente, a liderança é um fenômeno social em que uma pessoa influencia  pensamentos, sentimentos e comportamentos de outras em prol de objetivos compartilhados.

A partir desse conceito é possível afirmar que não há líder sem grupo e grupo sem líder, um não existe sem o outro.

Historicamente, o homem do campo foi induzido a pensar e agir, individualmente e como produtor de alimentos, obediente e dependente de ajuda, consolidando uma visão míope de sua importância e papel na sociedade.

A conhecida frase “plante que o João garante”, largamente divulgada nas décadas dos anos 70 e 80, é um típico exemplo de como esse processo ocorreu.

A mensagem acalentadora da frase criava uma sensação de segurança, apoio e proteção, mas, ao mesmo tempo, propunha acomodação sugerindo ao produtor preocupar-se apenas com o que acontecia “dentro da porteira”.

Embora não seja possível aferir a intencionalidade da mensagem, é fato que ela foi determinante no comportamento e cultura dos produtores rurais em relação à sua organização social e política.

Os produtores rurais, em geral,  sempre estiveram frágeis diante das constantes mudanças de legislação (ambiental, tributária, agrária, trabalhista entre outras) e pressões do mercado, pois frente a esses desafios a ação individual é ineficaz.

E como foram estimulados a se acomodarem diante dos problemas externos como mercado, economia, política e legislação, as iniciativas de ações conjuntas são pouco expressivas.

Essa visão, um tanto ingênua, que não é exclusiva do Setor Rural, é um terreno fértil para surgimento e crescimento dos “salvadores da pátria”. Aqueles “heróis” armados com discursos habilidosos que, de tempos em tempos, aparecem prometendo resolver as dificuldades coletivas.

Mas é preciso destacar, que em muitas situações, estas pessoas enxergam nos problemas comuns, uma oportunidade de atuar para atender unicamente os seus próprios interesses.

Individualmente, os produtores rurais, de maneira geral, estão vivendo um momento muito favorável com os preços de commodities supervalorizados e a produção batendo recordes a cada ano, além das baixas taxas de juros facilitando novos investimentos.

Isso tudo ajuda a reforçar a ideia de que os seus problemas se reduzem a clima e preços.

Para mudar essa realidade é preciso que representantes legítimos dos produtores se proponham a ocupar espaços de discussão e decisão sobre seus interesses. As comissões e conselhos municipais, associações e sindicatos são alguns exemplos da necessidade de líderes efetivos.

O fato é que o agronegócio vem assumindo uma posição de liderança econômica no Brasil, mas por outro lado, falta muito para o Setor conquistar o respeito e valorização devidos na sociedade e a principal causa é ausência de legítimos líderes rurais.

Mas, onde estão os verdadeiros líderes que, legitimamente, representam os anseios dos produtores rurais?

Quem está disposto a levantar bandeiras em defesa do coletivo?

Quantos sentem a mesma dor do outro e se propõem a dedicar tempo e esforço em prol do bem comum?

 

Claudinei Alves é administrador, mestre em administração, especialista em gestão empresarial, gestão rural e agroindustrial, MBA em Gestão de Agronegócios. Atua como consultor, facilitador e palestrante em projetos de estratégia e inovação. Atualmente, assessora o Programa de Sustentabilidade Sindical do Sistema FAEP/SENAR nos Estado do Paraná.

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