[ editar artigo]

Por acaso somos liquidificadores para ter defeito?

Por acaso somos liquidificadores para ter defeito?

Pergunta clássica num processo seletivo: Quais são seus principais defeitos?

O que escutamos no coaching: Será que vou conseguir superar esse defeito que tenho...?

Nas relações sociais: Ela é minha amiga, mas tem um defeito difícil de aguentar...

No ambiente de trabalho: Precisamos conversar sobre esse seu defeito que está afetando a equipe...

Falar de defeito no ser humano sempre me incomodou.

Quem tem defeito é liquidificador, não gente!

Os comportamentos ou características que temos, e que são rotulados como defeitos, foram construídos, e muitas vezes consolidados, como ESTRATÉGIAS para conseguirmos o que desejamos e precisamos.

Cada um de nós chegou onde chegou, conquistou o que tem, a partir desses comportamentos.

É claro que algumas coisas que fazemos comprometem nossos resultados e relacionamentos, e por isso buscamos ajuda de coaches, terapeutas, consultores... mas é importante reconhecer que nossos “defeitos” trazem, sim, ganhos.

Ser autoritário traz ganhos. Quem não gosta que as pessoas a obedeçam e façam tudo do jeito e na hora que a gente quer?

Fofocar traz ganhos. Quem nunca se sentiu melhor com sua própria vida ao colocar luz sobre as mazelas da vida alheia?

Procrastinar traz ganhos. Ou ninguém nunca apertou o “soneca” do despertador para adiar em 20 minutos a hora de levantar da cama?

E por isso muitos trabalhos de desenvolvimento pessoal fracassam, justamente por tratar os defeitos como coisas “ruins”. Por achar que esses comportamentos são alienígenas, pecaminosos, errados, feios e por isso devem ser arrancados de nós.

Portanto, o primeiro questionamento é:

O que você ganha agindo assim?

Se mudar o jeito de ser tirar de nós os ganhos que temos com o comportamento, não adianta nem começar.

E aí vamos para a segunda questão:

Será que existe uma outra forma de termos esses ganhos, de conseguir o se desejo, mas com um outro tipo de comportamento?

Sempre há! E isso se chama desenvolvimento humano!

E minha forma de trabalhar isso é olhando para os “defeitos” como qualidades descalibradas...

  • A rigidez é a responsabilidade descompensada.
  • O autoritarismo é a liderança em desequilíbrio.
  • A prepotência é o orgulho exacerbado.
  • O legalismo é a integridade que passou da conta.
  • A idolatria é a admiração desproporcional.
  • A Altivez é uma autoestima desmedida
  • A subserviência é a humildade mau dosada.
  • A imprudência é a coragem em excesso.
  • O perfeccionismo é a organização exagerada.
  • E até o amor pode virar permissividade ou controle.

Não pense em defeitos.

Olhe para si mesmo, reconheça aquilo que não está funcionando como você gostaria, mas não queira jogar isso fora, não queira arrancar isso de você. Ao contrário, esforce-se para equilibrar, para afinar essas características. Se veja como um instrumento. Se ao “tocar” para a vida você está soando de forma dissonante do resto da orquestra, não pare de tocar, só afine o instrumento.

Polo de Liderança Sebrae
Solange de Castro
Solange de Castro Seguir

Há 25 anos desenvolvendo lideranças, tem ajudado as organizações a ajustarem suas culturas às novas exigências do homem integral, por meio de treinamentos, coaching, mentorias e consultorias. Idealizadora do programa www.caminhosdalideranca.com.br

Ler conteúdo completo
Indicados para você