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Sônia Margarida: Uma inspiração no semiárido norteriograndense

Sônia Margarida: Uma inspiração no semiárido norteriograndense

O ano era 2006, e um desafio me foi dado quando assumi a gestão de um projeto piloto no Brasil – O PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável): desbravar o sertão em busca de pequenos produtores que desejassem integrar esse projeto, que se propunha a utilizar práticas agroecológicas de produção de hortaliças, fruteiras e galinhas caipiras. Foi nesta empreitada que conheci conheci Sônia Alexandre da Costa, uma mulher divorciada, na época com 38 anos e cinco filhos pequenos. Os homens da comunidade não quiseram o projeto, pois não acreditavam na possibilidade de se ganhar dinheiro com hortaliças, que não tinham tradição na região. Sônia era assentada, e permanece até hoje, no Assentamento Tabuleiro Alto, no município de Ipanguaçu/RN. Na época, ela já era forjada na luta, pois após a separação, Sônia ainda teve que lutar muito para conseguir ficar com o seu lote de terra, já que "naquela época mulher não podia ser assentada, não podia ter a posse da terra". Foi depois disso que ela adotou o “Margarida Resistência” no nome. Conforme ela mesma explica: “Resistência, pois tive que lutar muito. E, Margarida, para homenagear a Margarida Maria Alves, a primeira mulher sindicalista".

Diante da negativa dos homens em abraçar o projeto Sônia se juntou com outras mulheres e abraçaram o projeto. No começo, a produção era apenas para o consumo da família, mas a Margarida resistente foi além: "eu preparava umas sacolinhas com frutas e verduras e andava pela cidade oferecendo". E mais uma vez ela resistiu e se superou: fez o tanque para criar tilápias e vender na região. A criação deu certo e gerou renda extra para a família, possibilitando adquirir bens e hoje, em 2021, após uma trajetória de conquistas, possui casa, transporte e formou duas filhas na universidade.

Nesse tempo, desde que iniciou sua vida como pequena produtora rural até os dias atuais, Sônia acumulou experiência e sua história mudou a realidade da agrovila em que ela vive. Seu exemplo e trabalho ajudou a muitas outras famílias a se tornarem independentes, disseminando de forma voluntária seu conhecimento e inspirando com suas realizações. Sônia passou a ser referência não somente na região do Vale do Açu, mas viajou para outras regiões do estado e do país relatando sua história e foi entrevistada por revistas, jornais, rádios e emissoras de TV, acumulando admiradores.

Sua trajetória passa por lutas e batalhas, sendo na região uma pioneira na busca pela equidade de gênero. Tornou-se MEI – Microempreendedora Individual para comercializar seus produtos para mercadinhos locais, já esteve à frente da associação de agricultores da agrovila e coordenadora de políticas voltadas para as mulheres dentro da assistência social do sindicato dos agricultores do município.

Dentre suas qualidades de líder, destacamos a perseverança, resiliência, coragem, dedicação, senso de oportunidade e altruísmo.

Mudou o seu nome para Margarida Sônia Resistência, e não há quem necessite de sua voz, de seu apoio, que ela não dedique a melhor cota de sua força para ajudar que as pessoas conquistem seus objetivos.

“Eu posso dizer uma coisa: há 25 anos eu não podia ser assentada em uma área de assentamento, onde eu moro. E hoje tudo isso me foi possível e muito mais, o que é muito gratificante. Como é interessante o papel da mulher na sociedade. A gente já conseguiu muito e precisamos avançar mais. As mulheres têm, sim, que ocupar os seus próprios espaços. E onde houver uma necessidade, eu estarei lá, para ajudar meus irmãos e minhas irmãs.”

No interior do sertão do Rio Grande do Norte uma margarida se faz resistência e seu nome é Sônia.

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